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Ofensiva em Caracas resultou na prisão do líder venezuelano e deixou dezenas de mortos.
O Exército dos Estados Unidos por ordem do presidente Donald Trump realizou neste sábado, 03 de janeiro, um ataque à capital venezuelana, Caracas, com o objetivo de capturar o presidente Nicolás Maduro, sob acusações de liderança de um cartel de tráfico de drogas.
A ofensiva foi confirmada por Donald Trump por meio das redes sociais. Segundo o jornal The New York Times, o ataque à capital deixou mais de 40 mortos e dezenas de feridos. Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados a Nova York por via aérea, onde serão julgados pela Justiça americana sob acusações de conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de cocaína e posse e uso de armas de guerra.
A tensão entre os Estados Unidos e Nicolás Maduro vinha se desenhando desde o início de 2025. Anteriormente, o Departamento de Justiça dos EUA já havia acusado Maduro de ser o chefe do Cartel de los Soles — organização criminosa ligada a altos oficiais militares da Venezuela, acusada de participar do tráfico internacional de drogas — além de decretar uma recompensa de US$ 50 milhões por informações e evidências que ligassem o presidente venezuelano ao grupo.

Nos últimos meses, o Exército americano reforçou a proteção marítima no mar do Caribe, sob o pretexto de combater o tráfico internacional, interceptando dezenas de embarcações suspeitas de transportar drogas. Trump chegou a afirmar que cada apreensão “salva cerca de 25 mil vidas americanas”.
A operação de captura de Nicolás Maduro foi batizada de “Operação Resolução Absoluta” e executada após meses de planejamento e trabalho de inteligência, que incluíram a infiltração de agentes da CIA para monitorar seus deslocamentos e identificar seu paradeiro. No momento do ataque, Maduro estava em uma residência dentro do Forte Tiuna, complexo militar fortemente protegido em Caracas, e não no Palácio de Miraflores. Com autorização do presidente Donald Trump e aproveitando condições favoráveis, tropas da Delta Force chegaram de helicóptero ao local, romperam o cerco sob fogo de militares venezuelanos e prenderam Maduro e sua esposa quando tentavam se refugiar em um bunker.
Maduro e esposa foram levados sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde passaram pelos procedimentos de registro e aguardam os próximos passos para julgamento na corte americana.
Repercussão e Venezuela pós-operação
Apesar das alegações de Trump sobre o combate ao tráfico de drogas, especialistas comentam que o interesse norte-americano na região também pode estar ligado às reservas de petróleo da Venezuela, reconhecidas como as maiores do mundo. A tomada de controle da operação petrolífera impediria que rivais como China e Rússia ampliassem sua influência sobre esses recursos. Em pronunciamento, o próprio presidente americano afirmou ter interesse em ampliar a atuação de empresas dos EUA no setor venezuelano.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país.”
— Donald Trump, em pronunciamento oficial
Pronunciamento completo de Donald Trump Créditos: CNN Brasil
Ainda sobre o cenário pós-operação, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela de forma interina, por meio de um “grupo” ainda a ser anunciado, até a realização de uma transição de poder que classificou como “justa e legal”.
Contudo, pela Constituição venezuelana, na ausência do presidente, o comando do país deveria ser transferido à vice-presidente Delcy Rodríguez, ainda sem confirmação oficial de sua posse.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se pronunciou oficialmente por meio das redes sociais. Em nota, Lula condenou o ataque e a prisão de Maduro, afirmando que as ações americanas “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma afronta grave à soberania da Venezuela, com potencial de abrir precedentes perigosos para a comunidade internacional.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Atacar países, em…
Na mesma nota, Lula também cobrou uma resposta rigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU) diante do conflito.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações mais recentes disponíveis até o momento da publicação e está sujeita a atualizações ou eventuais defasagens à medida que novos dados sejam divulgados.